Revista Espaço

No caminho da produção verde

Alto-Forno 2 passa por mudanças para voltar a operar com carvão vegetal

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Floresta de eucalipto da ArcelorMittal BioEnergia no Vale do Jequitinhonha

“Em 2008, o projeto de conversão do Alto-Forno 2 foi apresentado ao comitê de investimentos do Grupo ArceloMittal e aprovado. Mas, em outubro do mesmo ano, o projeto foi suspenso devido à crise econômica mundial”

Roberto Manella

O ano de 1979 assistiu à inauguração de um dos principais equipamentos da Usina de Timóteo: o Alto-Forno 2. Projetado para ser o maior do mundo alimentado por carvão vegetal, o equipamento praticamente triplicou a produção de gusa na Usina, que passou de 650 toneladas por dia para 1,9 mil ton/dia. Em 1996, os planos mudaram e ele passou a funcionar movido a coque.

Agora, 14 anos depois, a Empresa se prepara para retomar o plano inicial e utilizar o carvão vegetal como combustível do equipamento. O projeto resultará no consumo de 300 mil toneladas de carvão vegetal por ano e está previsto para ser concluído em julho de 2011, quando o Alto-Forno 2 passa a operar com o novo redutor.

A decisão é mais um passo para o futuro e está alinhada às práticas de sustentabilidade do negócio. Roberto Manella, consultor da Diretoria Técnica, explica que a decisão de substituir o coque pelo carvão vegetal começou a ser tomada em 2004, quando esse insumo renovável voltou a ficar atrativo em relação aos preços do coque. Nessa época, foram previstos investimentos de longo prazo para preparar as florestas e, consequentemente, estar em condições de abastecer 100% seus fornos com carvão vegetal.

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Biorredutor voltará a abastecer Alto-Forno 2 da ArcelorMittal Timóteo

“Em 2008, o projeto de conversão do Alto-Forno 2 foi apresentado ao comitê de investimentos do Grupo ArceloMittal e aprovado. Mas, em outubro do mesmo ano, o projeto foi suspenso devido à crise econômica mundial”, explica Roberto. Um ano depois, o projeto foi revisto e novamente submetido ao comitê. Mais uma vez foi aprovado e as obras na Usina tiveram início em fevereiro deste ano.

O investimento será de aproximadamente US$ 93 milhões. Deste total, US$ 58 milhões serão destinados à ArcelorMittal BioEnergia para concluir o plantio de florestas de eucalipto, construção de 90 fornos de carbonização, modernização do maquinário e ações junto às comunidades e ao meio ambiente. Os US$ 35 milhões restantes serão aplicados nas mudanças do Alto-Forno 2 e na adequação do pátio de estocagem para recebimento e manuseio dessa matéria-prima.

“A maior parte das obras na usina serão feitas, sem interromper o ritmo de produção. No entanto, dez dias antes do inicio da operação do forno com carvão vegetal, será realizada uma parada para as últimas adaptações”, explica Roberto. O projeto envolve as áreas de Redução, Engenharia de Projeto e Suprimentos. Além disso, a participação da ArcelorMittal BioEnergia, responsável pela gestão das florestas plantadas, completa o empreendimento.

As vantagens ambientais do carvão vegetal foram decisivas para a mudança. Florestas em crescimento são aliadas contra o aquecimento global, já que consomem grande quantidade de gás carbônico (CO2), o principal responsável pelo efeito estufa.

Benefícios

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Carvão vegetal apresenta vantagens econômicas e ambientais sobre o coque

Nos últimos anos, o mercado internacional de coque tem apresentado alta instabilidade de abastecimento e de preços. A opção pelo carvão vegetal representa independência estratégica em relação a esse cenário. “Ao produzir seu próprio carvão vegetal, a empresa pode controlar de modo ainda mais efetivo a qualidade e os custos desse insumo”, afirma Roberto. O grande impacto desse projeto está na redução expressiva do custo do gusa, aumentando a competitividade dos produtos da ArcelorMittal Inox Brasil no mercado.

As vantagens ambientais do carvão vegetal foram decisivas para a mudança. Florestas em crescimento são aliadas contra o aquecimento global, já que consomem grande quantidade de gás carbônico (CO2), o principal responsável pelo efeito estufa.

O ciclo de produção e uso do carvão vegetal no Alto-Forno libera uma quantidade significativamente menor de CO2 na atmosfera do que o coque. Esse balanço positivo de redução das emissões de CO2 também resulta em créditos de carbono. Para que esses créditos possam ser comercializados, a empresa está concluindo a aprovação dos projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) junto às Nações Unidas, em conformidade com as regras estabelecidas no Protocolo de Quioto, em 1997. Os créditos de carbono resultantes desse projeto representam mais de 10% da meta global corporativa estabelecida pela ArcelorMittal.

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