Revista Espaço

Trocar para prosperar

Grupos de trabalho promovem intercâmbio de conhecimento

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Os pesquisadores Ricardo José Costa e Tarcísio em videoconferência com colega de Isbergues (França)

Os aços inoxidáveis 409 produzidos pela ArcelorMittal Inox Brasil são reconhecidos em todo o Grupo por sua qualidade ímpar. Uma equipe internacional de pesquisadores decidiu investigar as razões que levam a esse diferencial. Estudos em laboratório e análises do processo permitiram perceber que o fluxo de produção da unidade brasileira, particularmente na etapa da Laminação a Quente, maximizava propriedades importantes, como a estampabilidade (capacidade de produzir peças mais profundas e complexas), e eliminava problemas como o estriamento. A descoberta incitou o grupo de trabalho a dar continuidade aos estudos para estender essas propriedades para outros aços ferríticos.

Esse é apenas um exemplo do universo de possibilidades de desenvolvimento tecnológico que se abriu para a ArcelorMittal Inox Brasil desde a integração ao Grupo, em 2007. Mas as atividades das equipes de trabalho tiveram início ainda em 2001, quando foram realizados os primeiros estudos em conjunto com o Centro de Pesquisa de Isbergues (França), da ArcelorMittal Stainless Europe. Hoje, quatro grupos temáticos voltados para o produto inox e três dedicados aos aços elétricos – neste caso, com centros de pesquisa na Bélgica – compartilham estruturas, equipamentos, amostras e conhecimento. Os objetivos são a troca de experiências e a transferência de tecnologias para a construção de portfólios globais, na busca pela liderança no processo de inovação.

“A orientação corporativa é que a informação flua livremente entre as empresas do Grupo. Não há qualquer tipo de restrição, pois o conhecimento pertence à ArcelorMittal e deve ser usado onde for necessário. Alçamos alto grau de confiança e parceria entre as unidades. Já obtivemos ganhos em vários projetos com os grupos de trabalho, que nos permitem caminhar mais rápido e dispor de mais recursos para encontrar soluções”, frisa Ronaldo Claret, gerente do Centro de Pesquisa.

“São experiências muito ricas, que também nos proporcionam oportunidades profissionais únicas. Cada empresa oferece o que tem de mais moderno e os recursos se complementam, beneficiando ambas as partes”, revela Tarcísio Reis de Oliveira, pesquisador da ArcelorMittal Inox Brasil.

Arnaud Dessis, responsável pelo grupo de trabalho de processos na ArcelorMittal Stainless Europe, acredita que culturas diferentes discutindo um mesmo problema tornam o trabalho mais rico e melhoram os resultados. “A ArcelorMittal Inox Brasil tem processos e equipamentos diferentes dos nossos, o que, às vezes, dificulta o trabalho, mas também permite novas formas de comparação. O contato direto foi facilitado. Estabelecemos uma troca regular de informações. A distância entre os centros de pesquisa diminuiu e ambos ganharam velocidade e conhecimento”, considera Arnaud.

Dedicação intensa

Os grupos dedicados ao estudo do inox debruçam-se sobre temas estratégicos, como aços de alta resistência (duplex), ferríticos, de baixo níquel, indústria automobilística e processo produtivo. O desenvolvimento dos aços de grão orientado (GO) e de grão nãoorientado (GNO) de baixas perdas é a tônica dos grupos de pesquisa voltados para os aços elétricos.

“Para 2009, a diretriz coorporativa da ArcelorMittal é priorizar as soluções ferríticas, em substituição aos aços austeníticos”, revela Tarcísio. Para que os projetos tenham sucesso, é necessário que os assuntos sejam de real interesse de ambas as empresas. “Se não o forem, não serão tratados como prioridade”, observa Arnaud. O próximo encontro semestral deverá acontecer no Centro de Pesquisa da ArcelorMittal Inox Brasil.

Ronaldo informa que a ideia, agora, é aprimorar esse modelo de parceria, com projetos pensados e desenvolvidos em conjunto. “Por enquanto, trabalhamos com troca de informações e prestação de serviços, ou seja, colaboramos mutuamente, de acordo com os recursos de cada unidade. Mas queremos fazer uma pesquisa totalmente integrada, de acordo com a estratégia de longo prazo do Grupo ArcelorMittal”, vislumbra.

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