Revista Espaço

Memória viva no carnaval

Personagens históricos de Timóteo emprestam seu carisma a bonecões produzidos em oficina do 9º Festival Arte Viva

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Artesãs de Timóteo dão os últimos retoques nos bonecões antes do carnaval

Manoel Pereira da Silva nasceu e viveu em Timóteo por 77 anos. Pai de 11 filhos, ganhava a vida como guarda florestal. Mas foi ao resgatar a tradição do congado que Manoel Vitório, como ficou conhecido, marcou a história da cidade como poucos. Ao lado de outros seis moradores célebres, ele será homenageado neste carnaval. Manoel foi transformado em um dos sete bonecos gigantes confeccionados durante oficina do projeto Pó da Terra, no 9º Festival Arte Viva, que desfilarão pelas ruas da cidade.

Gentil Pires, responsável pela proposta e concepção do enredo E o gigante é o nosso povo, da Associação das Escolas de Samba de Timóteo (AEST), inspirou-se nos bonecos para criar as alegorias. “Além de resgatar personagens que foram fundamentais para a construção da nossa cultura, homenageamos também os ‘gigantes’ de hoje”, revela Gentil.

O ritual religioso do congado existe no município há mais de 120 anos. Por muito tempo, no entanto, a tradição foi abandonada pelos timotenses. No dia 17 de junho de 1963, a partir da iniciativa de Manoel, devotos de Nossa Senhora do Rosário voltaram às ruas para festejar e, desde então, o congado permanece vivo em Timóteo.

“Assistir a esse tributo ao meu pai foi uma alegria muito grande para mim e para toda a minha família”, emociona-se Maria Pereira dos Santos, filha de Manoel.

A oficina foi uma das 36 atrações do 9º Festival Arte Viva, realizado pela Fundação ArcelorMittal Acesita, com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), no segundo semestre de 2008. Além dos cursos e oficinas, exposições, espetáculos teatrais para todas as idades, apresentações de dança, música, congado e capoeira movimentaram a programação, que contemplou um público de, aproximadamente, 14,5 mil pessoas.

Muita história pra pular

Os carnavalescos Jacinto Pereira de Oliveira (Seu Jacinto), Joaquim Cirilo (Seu Quincão) e Nair Pinheiro Silva (Dona Nadir) também foram transformados em bonecões, assim como Raimundo de Souza Neto (Seu Mundico), Ottone Meneguine e Almiro Saraiva (Zé das Medalhas). Para escolher os homenageados, moradores participaram de uma pesquisa que identificou os personagens que mais contribuíram para a construção da cultura local.

Nascido em Ubá, o alegre Seu Mundico mudou-se para Timóteo para trabalhar na então Acesita, logo após o casamento com Dona Zélia Sampaio de Souza. Sua animação contagiou os timotenses, que se lembram dele com saudade. Dona Zélia conta que o marido estava sempre cantando e sorrindo, cercado de amigos. “Ele era muito popular e extrovertido. Quando me pediram a autorização para a homenagem, conversei com meus filhos e concluímos que ele ficaria muito feliz com isso”, diz.

Mais incentivo à cultura

Até o momento, 20 projetos já foram selecionados pela Fundação ArcelorMittal Acesita para receber o apoio da ArcelorMittal Inox Brasil, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, em 2009. Teatro, música, dança, literatura, cinema, oficinas, intervenções em escolas e diversas outras atividades serão promovidas nos vales do Aço e do Jequitinhonha.

Um dos projetos é a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, que traz a Timóteo, entre os dias 5 e 22 de março, oito espetáculos – cinco adultos e três infantis – em 16 apresentações.

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