Revista Espaço

Solução importada

No lugar de produtos químicos, controle biológico para proteger a floresta

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Nivaldo Souza
Supervisor de processo da BioEnergia.

Para controlar as pragas que se alimentam dos eucaliptos sem poluir o meio ambiente, a Aperam BioEnergia aposta no controle natural (biológico), feito em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), universidades e empresas, que formam o grupo Cooperativo de Proteção Florestal (Protef).

Com esse trabalho, os especialistas identificam pragas que afetam as plantações brasileiras – e atuam na busca de soluções. Na maioria dos casos, o primeiro passo é estudar o agente nocivo no habitat de origem dos eucaliptos, vegetação típica da Austrália. Desde 2003, três tipos de insetos foram registrados como potenciais destruidores das florestas. O Protef envia equipes até o outro lado do planeta para descobrir quais seriam os predadores naturais dessas pragas. “Uma vez identificados, o grupo solicita junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a importação de um lote dessas espécies. Mas antes de ser liberado, o material passa por uma quarentena para avaliar o possível risco da introdução de um novo inseto no ambiente”, explica Nivaldo Souza, supervisor de processo da BioEnergia.

O laboratório de entomologia – ciência que estuda os insetos – instalado em Itamarandiba (MG) recebe os invertebrados importados, cria a espécie predadora e a libera nas florestas da empresa. “O controle representa uma saída ecológica (não traz danos ao meio ambiente) para um grande problema. Com essa estratégia deixamos de utilizar mais de quatro mil quilos de produtos químicos por ano”, esclarece o supervisor.

Histórico

O último inseto trazido da Austrália para salvar eucaliptos foi o Selitrichodes neseri, que chegou em janeiro de 2015. Ele irá combater a vespa da galha, espécie que se alimenta das árvores. “A praga foi registrada em 2011 e tem alto poder de destruição, principalmente, em florestas mais31 jovens”, aponta Nivaldo.

Há cinco anos foi a vez do percevejo bronzeado causar danos. Com a importação de um parasitóide que se alimenta dos ovos do inseto, a BioEnergia já reduziu em 70% a área afetada pela praga.

O primeiro caso de importação de inimigo natural da Austrália, em 2004, mostra bem a efetividade dessa opção de controle. A praga psilídeo de concha, semelhante a pequenas cigarrinhas, se espalhou por todo o país. “Há mais de quatro anos não temos problemas com essa espécie”, pontua.

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