Revista Espaço

Etapa fundamental

Profissionais da Aperam testam novos equipamentos junto dos fornecedores

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Paulo e Pedro (primeiro e segundo à esquerda) e Marcos Araújo (primeiro à direita), na França, com profissionais da Solaronics Bekaert

Entre dezembro e janeiro, grande parte dos equipamentos da linha de produção do aço elétrico de grão superorientado (HGO) desembarca em Timóteo (MG). Trata-se de máquinas e peças importadas da Alemanha, Itália, França, Estados Unidos e da China, que se somam a componentes nacionais. Mas bem antes disso, um grupo de profissionais da Aperam que acompanha, de perto, o projeto iniciou a etapa de diligenciamento(Prática do cliente visitar o fabricante durante o processo de produção com o intuito de verificar, detalhadamente, equipamentos e cronogramas previamente estabelecidos entre as partes.). Ao visitar os fornecedores, essa equipe traz na bagagem conhecimentos valiosos para as fases de montagem e implantação.

Paulo Glerian e Pedro Souza, assistentes técnicos, visitaram a cidade francesa de Armentières, em outubro, para conhecer a fábrica da Solaronics Bekaert, responsável pelo forno de secagem. A máquina, de 20 metros de comprimento, foi testada em condições similares às da Usina de Timóteo. “Diligenciar é fazer uma ‘super’ auditoria. Observamos o funcionamento e procuramos ter certeza de que tudo está conforme as especificações de medidas, capacidade, etc.”, explica Paulo.

Em julho, Nuremberg, na Alemanha, e Yalesville, nos Estados Unidos, foram os destinos de um trio de empregados, entre eles, Carlos Lovato, engenheiro mecânico. No Velho Continente, o motivo da viagem foi o novo sistema de controle de formas da Laminação a frio fabricado pela Primetals, ex-Siemens. Com o aparato, o processo deixará de ser manual. “Essa mudança no Laminador de Bobinas 2 (LB2) vai proporcionar mais eficiência e qualidade para o processo de produção do novo aço elétrico”, resume Carlos.

Diretamente dos Estados Unidos, chega à Empresa um sistema informatizado para auxiliar uma etapa nova da produção. Atualmente, os aços elétricos são laminados a frio. O HGO necessita de tratamento a uma temperatura maior, denominado de laminação a morno. “Esse programa nos permite utilizar um controle de temperatura extremamente apurado”, salienta. Além do software, a empresa Tenova l2S fornece outros itens do projeto.


Desafios e aprendizado

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Carlos e Marcos Sávio em uma das várias reuniões de acompanhamento na Usina

Em projetos de grande porte, como do HGO, é comum que um único equipamento receba componentes de vários países. Por isso, Marcos Araújo, analista de projetos, que esteve na França e na Alemanha, destaca a relevância da checagem do cronograma e dos pedidos de compra das peças. “Às vezes um fornecedor tem fábricas em localidades distintas. A integração pode ser um desafio enorme. Por segurança, vale aproveitar o contato direto e alinhar isso também”, comenta. O profissional está há 28 anos na Aperam e já participou de outros diligenciamentos. “Atividades como essa geram maturidade tanto do ponto de vista técnico como comportamental. Aprendi que os italianos falam e debatem de uma maneira mais intensa, enquanto os orientais são extremamente serenos. Entender essas particularidades ajuda o processo a fluir”, comenta.

Marcos Sávio, assistente técnico, percorreu oito fábricas nas cidades chinesas de Xangai e Tianjin, em setembro. No país, a Tenova fabrica diversos equipamentos, como sistemas de selagem, umidificadores e zonas de refrigeração que serão instalados nas linhas de aços elétricos. A visita serviu ainda para definir o tipo de embalagem a ser utilizada no transporte. “Optamos por caixas metálicas, porque já tivemos experiências ruins com caixotes de madeira que podem abrigar e esconder insetos durante a viagem”, aponta. Ele lembra que a evolução nos meios de comunicação facilita parte do trabalho. “Na época do fax era tudo mais difícil. Hoje, se você está no local é possível fotografar e mandar na hora para um colega no Brasil”, conclui.

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Na França, Pedro pôde checar o funcionamento de uma das máquinas

“Para quem atua na área de projetos, o diligenciamento é o ápice do trabalho. É muito bom ter esse contato com o mercado e ver o ‘nascimento’ dos equipamentos”.

Carlos Lovato

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