Revista Espaço

De olho no mar

Aperam e Petrobras estudam ampliar uso de aços inoxidáveis

A maresia característica das cidades litorâneas corrói metais, enferruja carros, emperra portões, entre outros danos. Isso é resultado do contato destes materiais com a umidade do ar (corrosão atmosférica), potencializado pela presença do sal na água do mar. Agora, imagine o impacto desse fenômeno natural em instalações que estejam a quilômetros de distância da costa e cercadas por água salgada em todos os lados. Desafiados por esse cenário, Aperam South America e Petrobras estudam, desde 2013, a aplicação de aço inoxidável em plataformas petrolíferas, com o objetivo de reduzir a ação da corrosão nas instalações. Resistência à corrosão configura-se como uma das principais características do aço inox duplex.6

Hoje, mais de 400 plataformas de perfuração ou de produção, sondas, petroleiros e navios de apoio têm como base o aço carbono protegido com tinta anticorrosiva. Regularmente, é feita a manutenção de corrimões, pisos, grades etc. Com o desenvolvimento do setor e a descoberta do pré-sal, a exploração do petróleo alcança áreas cada vez mais distantes do continente. As primeiras plataformas instaladas na década de 1970 como Enchova, na bacia de Campos, ficam a cerca de 140 quilômetros do litoral brasileiro e retiram matéria-prima a 2.600 metros de profundidade. Já o reservatório de Tupi, na bacia de Santos, considerado um dos maiores do pré- sal, situa-se a quase 300 quilômetros da terra firme, com reservas a 7.000 metros. “A principal razão desse trabalho é encontrar um material mais resistente e que exija menos manutenção. Os custos para esse serviço aumentam de acordo com a distância do continente”, ressalta Adolfo Viana, um dos pesquisadores da Aperam envolvidos no projeto.

Amostras e protótipo

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racks

A primeira etapa das pesquisas começou em 2013, com a instalação de racks com amostras de sete tipos de aços inoxidáveis, aço carbono e aço carbono com tinta anticorrosiva. As amostras foram colocadas na plataforma marítima de Guamaré, no Rio Grande do Norte, e na Unidade de Produção de Gás Natural, na costa de Atalaia, em Sergipe.

Durante quase dois anos, funcionários da Petrobras e da Aperam acompanharam trimestralmente os impactos da corrosão nas amostras. “O estudo nos auxiliou a escolher quais tipos de inox teriam a melhor performance e poderiam ser utilizados em outros testes”, explica Adolfo.

A Aperam está desenvolvendo protótipos de piso das plataformas em inox duplex, um dos aços que apresentou bom desempenho, para a nova etapa dos experimentos. A expectativa é de que nos próximos meses o material seja instalado em uma unidade escolhida pela petrolífera. “Continuaremos com o monitoramento por um período ainda não determinado. O grande desafio consiste em estimar o nível de resistência do material no longo prazo, pois a corrosão em aço inox não é um processo linear e o desgaste pode ter variações”, ensina.

Futuro

Após o fim dos testes, Adolfo acredita que aços inoxidáveis serão escolhidos para substituir os aços carbono em muitas aplicações nas instalações offshore (em alto mar). “O produto poderia ser utilizado na reforma das estruturas atuais e para compor parte das novas plataformas de petróleo”, observa.

Gabriel Bitencourt, analista de negócios da Aperam, e Lúcio Bailo, gerente interino de Assistência Técnica, destacam ainda o potencial do mercado para a Empresa. “Se identificarmos como viável o uso do inox na plataforma é bem provável a aplicação em navios de apoio, sondas e outros equipamentos que compõem a frota deste segmento”, observa o analista.

Duplo benefício

O aço inox duplex, produzido comercialmente pela Aperam desde 2010, tem se destacado no atendimento dos setores de Petróleo e Gás e Papel e Celulose não só pela resistência à corrosão. “Em razão da elevada resistência mecânica do inox duplex, ele pode ser aplicado com espessura reduzida, em comparação ao aço carbono, diminuindo o peso global das estruturas. Para montar e manter instalações no mar esse aspecto também pode resultar em queda dos custos”, completa Lúcio. Atualmente, os tubos flexíveis que conectam instalações marítimas são uma das principais aplicações desse tipo de aço.7

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