Revista Espaço

Etanol chega à segunda geração

Inox da Aperam é aplicado em usina que incorpora palha e bagaço da cana à produção de etanol

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Usina tem capacidade para produzir 82 milhões de litros de etanol por ano

Há muitos anos, o Brasil mantém a tradição de produzir álcool a partir do caldo da cana-de-açúcar. Mas, desde o final do ano passado, um novo jeito de chegar ao mesmo produto final vem sendo desenvolvido pela GranBio, empresa de biotecnologia, instalada em Alagoas.

Mais sustentável do que o modelo tradicional, o sistema usa como matéria-prima a palha e o bagaço da cana-de-açúcar, subprodutos da colheita que, até então, eram descartados. Para isso, a GranBio compra a palha que sobra de outros produtores de açúcar e álcool da região e utiliza também a que resulta de plantio próprio.

Trata-se da primeira unidade do hemisfério Sul a produzir etanol de segunda geração (2G) em escala comercial. Para viabilizar o projeto, a GranBio firmou parcerias com multinacionais que detêm tecnologia de ponta no setor e instalou uma unidade em São Miguel dos Campos (AL). Cerca de mil toneladas de inox da Aperam ajudaram a compor equipamentos como tanques, fermentadores, destilaria e a peneira molecular (responsável pelo processo de desidratação), fabricados pela NG Metalúrgica.

O vice-presidente de Operações da GranBio, Manoel Carnaúba, explica que o uso do aço inoxidável impacta diretamente a qualidade do produto final. “Diminuímos a possibilidade de contaminação de fluidos como químicos, água e biomassa, já que o inoxidável reduz as possibilidades de corrosão dos equipamentos”, explica. Segundo ele, outra vantagem é a relação custo benefício, pois o aço inoxidável é mais durável e requer menos manutenção.

A usina tem capacidade inicial de produção de 82 milhões de litros de etanol por ano, acompanhando as perspectivas do mercado (aumento do percentual de álcool na gasolina e da frota). Segundo Manoel Carnaúba, a estimativa é de que, até 2020, cerca de 90% dos veículos que circulam no país sejam modelo flex e o consumo de etanol deverá chegar a 70 bilhões de litros por ano. “Nesse contexto, a tecnologia de segunda geração tem potencial de elevar em 50% a produção nacional de etanol, sem a necessidade de ampliar os canaviais”, explica.

Tecnologia

A produção do etanol de segunda geração depende da separação dos açúcares que estão nas fibras da palha e do bagaço da cana, o que é um processo complexo. Inicialmente, a matéria-prima é submetida a altas temperaturas, pressão e a uma explosão a vapor para gerar a quebra da celulose. Depois, entram em ação as enzimas que transformam essas moléculas em açúcares. Na etapa seguinte, os fermentos modificam esses açúcares em álcool, que, depois de destilado, vira o etanol.

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