Revista Espaço

Reflexo infinito

Artista plástico Yutaka Toyota encontra no aço inox da Aperam o material ideal para suas obras

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Yutaka busca sempre o efeito espelhado proporcionado pelo aço

“Vejo-as, às vezes, como grandes sinais metálicos, cheios de brilhos e de luz e as sinto tão belas que gostaria de vê-las incorporadas à nossa arquitetura”, disse, certa vez, Oscar Niemeyer sobre a obra do artista plástico Yutaka Toyota. A declaração do mais famoso arquiteto do país retrata a admiração pelo artista nipo-brasileiro. “Gosto de criar monumentos de grandes dimensões, o que tem muito a ver com a ideia arquitetônica do Niemeyer”, compara Toyota.

Com 50 anos de atuação, o artista plástico, que nutria preferência pelas telas no início de sua carreira, descobriu a essência do seu trabalho na valorização das formas e na utilização do aço inox. “Fui morar um tempo na Itália, em 1965, onde convivi bastante com escultores, o que me chamou a atenção para a possibilidade de trabalhar a construção de ambientes tridimensionais”, recorda.

Quando realizou no Japão sua primeira exposição de esculturas em aço inox, no final dos anos 1970, o material ainda era pouco utilizado em obras de arte. Toyota, no entanto, sabia bem o que pretendia. “Desde a primeira peça, tive o desejo de usar o espelhado, com a ideia de ver nosso mundo refletido para um outro mundo”, explica.

O movimento que o material proporciona às esculturas consiste em outro grande atrativo para o artista. “Com uma chapa inoxidável tenho a possibilidade da reflexão, da deformação, de trazer as mais diferentes imagens para dentro das peças. Meu objetivo é sempre criar uma obra ao infinito, que traga esse mundo que não conseguimos enxergar a olho nu”, explica.

Para ver de perto

Ao todo, quase cem monumentos de médio e grande porte surgiram da relação de Yutaka Toyota com o aço inox. As obras podem ser conferidas de perto em algumas cidades brasileiras.

– São Paulo (SP): na Praça da Sé, no centro da cidade, encontra-se instalada uma escultura móvel de 3,7 m², criada em comemoração do IV Centenário da capital paulista. Outro destaque consiste em uma escultura em aço inox e granito, exposta no Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera;

– Londrina (PR): com mais de 20 metros de altura, o monumento criado para a Praça do Centenário da Imigração Japonesa Tomi Nakagawa, em 2008, reúne aço inox, concreto e granito.

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