Revista Espaço

Planta de Timóteo recebe US$ 26 milhões em investimentos

Linha de aços elétricos terá novo produto em 2016; laminação de inox vai passar por atualização

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Equipe está à frente do processo de adequação da linha de aços elétricos

Anos de pesquisas, inovação e boas perspectivas para o futuro. A Aperam South America inicia este ano dois importantes aportes de recursos nas áreas de aços elétricos e inox. Os investimentos destinam-se a ampliar o portfólio e a execução de melhorias no processo produtivo dos dois tipos de aço.

Para o presidente da Aperam, Clênio Guimarães, os U$S 26 milhões permitem à Empresa manter um lugar de destaque no cenário internacional. “Estamos sempre motivados a buscar o novo. Acompanhar as evoluções do mercado e garantir produtos melhores são alguns desafios da equipe Aperam”, destaca.

Grão superorientado

A Aperam, produtora exclusiva de aços elétricos de grão orientado (GO) e de grão não-orientado (GNO) na América Latina, se prepara para fabricar o aço elétrico de grão superorientado (HGO). Para isso, um projeto de adequações da planta industrial de Timóteo (MG) estimado em US$ 17 milhões foi aprovado e a previsão é dar início à produção do HGO em 2016.

Na fase atual, as gerências de Engenharia, Metalurgia de Aços Elétricos, Operação, Pesquisa e Comercial estudam e definem os fornecedores dos equipamentos que serão instalados no ano que vem na linha de produção dos aços elétricos. As mudanças ocorrerão em quatro etapas do processo produtivo. “A nova tecnologia alterará os procedimentos e exigirá o engajamento das equipes e maior rigor no controle de processo. Os prazos de implantação e execução são desafiadores, mas estamos cientes da importância desse projeto e preparados”, avalia Edalmo Souza, gerente executivo da Operação e Metalurgia de Aços Elétricos.

Paralelamente às mudanças estruturais, a área conta com um cronograma que prevê um estoque estratégico de aço para abastecer o mercado.

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Laminador passará por modernização

Os aços GO e HGO podem ser aplicados em transformadores. A energia gerada em uma hidrelétrica, por exemplo, precisa ter a tensão elevada para percorrer as linhas de transmissão. Quando ela chega a uma subestação, acontece o processo inverso e o transformador diminui a tensão para que energia possa chegar às cidades.

O HGO apresenta maior permeabilidade e menores perdas magnéticas que o GO regular, o que permite obter uma eficiência energética de até 2% a mais nos transformadores. Para o setor de produção e distribuição de energia, isso significa transformadores menores e mais eficientes. “A utilização do HGO no mundo apresenta-se mais vantajosa em máquinas de grande porte. Transformadores menores, encontrados em equipamentos eletrônicos, por exemplo, continuam a ser produzidos com GO, pelo custo-benefício”, explica Ronaldo Claret, gerente executivo do Centro de Pesquisa.

Origem

O desenvolvimento da tecnologia capaz de produzir o HGO ocorreu como uma evolução natural do aperfeiçoamento do GO regular. Uma primeira bateria de estudos foi realizada no Centro de Pesquisa, ainda em 2007. A meta consistia em conhecer melhor o processo de nitretação que, de acordo com as referências existentes, permitiria reduzir custos de produção, ao eliminar um estágio da produção do GO e obter o HGO. “Hoje, laminamos o aço em dois estágios. Com a nitretação faremos em um só. A eliminação de uma fase e o enriquecimento com nitrogênio são a base dessa tecnologia”, explica Ronaldo Claret.

A técnica vem sendo utilizada pelos japoneses desde a década de 1990, segundo o gerente. Hoje, Inglaterra, Alemanha, China e Coreia do Sul também detêm o conhecimento. “Esse investimento nos coloca dentro desse seleto grupo de países, com condições de competir de igual para igual”, conclui.

Para fazer melhor

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Linha piloto de produção do HGO, no Centro de Pesquisas, já atestou benefícios do novo processo

A linha de produção de aços inoxidáveis também receberá um aporte, da ordem US$ 9 milhões. Trata-se do investimento no Laminador Sendzimir 1, que contempla a modernização dos componentes eletroeletrônicos do equipamento, implantado na década de 1970.

Após a efetivação das melhorias, com término previsto para dezembro de 2015, estima-se o aumento de velocidade de processo de 458 m/minuto para 600m/minuto. Na prática, a produtividade do laminador deverá ser ampliada em 28%, aumentando a oferta em 18 kt/ano de aços inoxidáveis. “Os controles automáticos substituirão os manuais, reduzindo os setups operacionais e otimizando a produção”, explica Clênio Santana, gerente da Laminação a Frio de Aços Inox.

A equipe responsável pelo projeto conta com empregados das Gerências de Engenharia, Operação, de Manutenção, de Metalurgia e de Automação. Equipes de manutenção e operadores receberão treinamento nos novos sistemas. Durante a reforma, parte da produção do LB1 será feita nos laminadores de Bobinas 2, 3 e 4.

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