Revista Espaço

70 anos de inovação e pioneirismo

História da Empresa tem relação estreita com a do Vale do Aço

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Primeira corrida do Alto-forno 1 ocorreu em 1949 e Equipe da Operação e a primeira bobina laminada no Zmill II, em 1978                                                                   

Os incontáveis hectares da Fazenda Dona Angelina, no então distante povoado de Timóteo (MG), ganharam contornos inimagináveis ano após ano, desde 1944, quando foi criada a Cia. Aços Especiais Itabira, antiga Acesita, atual Aperam South America. Em plena Segunda Guerra Mundial, o projeto, marcado pelo pioneirismo, integrava o esforço dos setores produtivos do país para tornar o Brasil independente das importações.

Não faltaram metas ousadas para inaugurar uma usina de aços especiais em uma região que se desenvolveu juntamente com o negócio. Das obras à primeira corrida na Aciaria foram seis anos e, a partir disso, uma largada para o desenvolvimento. “Os desafios da época representam um sinal claro de inovação. Lembrar a história ajuda a renovar a crença em nossos valores”, afirma Clênio Guimarães, presidente da Aperam South America.

O antigo povoado se transformou em distrito de Coronel Fabriciano e, em 1964, alcançou a emancipação. O potencial industrial chamava a atenção de investidores e famílias de outras localidades, todos de olho na perspectiva da região que mais tarde ficou conhecida como Vale do Aço. Em três décadas, a Empresa se tornou a primeira usina integrada de aços elétricos e inoxidáveis da América do Sul.

Agilidade

As primeiras barras, chapas e forjados de aço tiveram como destino a indústria agrícola do país, principal atividade econômica naquele período. Ao longo das décadas, a indústria brasileira tornou-se mais dinâmica e complexa e a globalização abriu o mercado internacional. A Empresa apostou em tecnologia para oferecer produtos em aço inoxidável a um crescente número de setores: sucroalcooleiro, papel e celulose, cervejeiro, utilidades domésticas, linha branca, construção civil, petróleo e gás etc.

No segmento de aços elétricos, a agilidade e a flexibilidade na busca por novos produtos têm rendido à Aperam um posicionamento de destaque: a empresa fornece os aços elétricos GO e GNO, com exclusividade, para toda a América Latina. Recentemente, a Empresa desenvolveu o know-how e passou a dominar a tecnologia responsável pelo HGO, variação mais eficiente do GO (leia mais sobre o assunto nas páginas 11 e 12).

Flexibilidade

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Camillato (dir.): trajetória formada pelo aprendizado

Milhares de brasileiros tiveram suas vidas interligadas à trajetória da Aperam nesses 70 anos. Paulo Cesar Camillato, gerente da Laminação de Aços Elétricos, é um deles. “Só não nasci dentro da Usina porque tinha cerca”, brinca. O pai veio do Espírito Santo e trabalhou por 31 anos na Empresa. A família morava no bairro Bromélias, ao lado da planta industrial. Camillato, como é conhecido pelos colegas, já dedicou 30 dos seus 47 anos à Usina. Em sua trajetória, uma das marcas da Aperam: a capacidade de se adaptar. No primeiro setor em que atuou, o beneficiamento de barras, extinto em 2002, permaneceu por 18 anos.

Desde aquele período, marcado por processos ainda manuais e pouca automação, o gerente já buscava conhecimentos. Camillato auxiliou a implantação dos primeiros Círculos de Controle de Qualidade (CCQ), iniciativa que existe até hoje. “Todas as áreas evoluíram muito. Na Aperam, inovar faz parte do dia a dia”, avalia.

A transição da laminação de barras para o setor de laminação de aços elétricos foi sinônimo de aprendizado. “Não conhecia nada. Deixei de liderar pessoas para desenvolver projetos de melhoria. Sempre surgia um desafio”, lembra.

O relacionamento com os colegas, dentro e fora do trabalho, também contribuiu para essa trajetória. Um episódio inusitado durante uma competição de futebol da Empresa rende boas lembranças. A equipe em que ele jogava perdeu a primeira partida de goleada e a maior parte dos atletas desistiu de continuar na disputa. Camillato e um amigo, que adoravam jogar, trocaram de time e comemoraram no final: “Ganhamos o torneio, vencendo os favoritos”.

Novos desafios

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Vilmar: oportunidade aproveitada

Há 10 anos na Aperam, Vilmar Pereira obteve uma conquista importante: a conclusão do segundo grau graças ao estímulo da Empresa. Ele saiu em 2004 com a família de Janaúba, norte do Estado, para Timóteo. O primeiro emprego na cidade, em uma empresa prestadora de serviço (EPS) da Aperam, foi a porta de entrada. Da EPS, ele passou para uma das unidades do grupo Acesita, onde atuou como conferente de material.

A mudança para a Aperam veio anos depois. “A transferência é um sonho da maioria dos terceirizados, sinônimo de crescimento. Comigo não foi diferente”, conta. Hoje, como operador na Gerência de Acabamento de Aços Inoxidáveis ele quer mais e vê na formação complementar de mecânico oferecida pelo projeto de Operador Mantenedor uma nova oportunidade. “Com dedicação e esforço para atender às necessidades da Empresa, posso crescer”.

 


Quem viveu a história conta…

10Por que deixar um Boeing para pilotar um teco-teco? Foi o que eu ouvi quando decidi sair da Vale para assumir a presidência da então Acesita. E eu respondi: quero transformar esse teco-teco em um Boeing. Mas era preciso coragem para enfrentar o cenário de privatização da Empresa. Procurei fazer essa transição de forma transparente. Iniciamos uma série de programas de modernização.

Durante o período em que fui presidente, criamos também a Fundação e o Oikós. Os focos desses projetos eram a educação voltada para a comunidade e a certeza de que o meio ambiente é parte do negócio. Fico feliz ao constatar que, ainda hoje, esses ideais se mantêm.

Para o futuro, a palavra de ordem é competitividade. Muitas pessoas passaram pela Aperam nesses 70 anos, deixando sementes pelo caminho que colaboraram para superar desafios tecnológicos, societários e financeiros. Por isso, precisamos olhar para frente, certos de que podemos fazer amanhã melhor do que fizemos ontem.

Wilson Nélio Brumer, presidente da Aperam de 1992 a 1998


11Após a privatização em 1992, na Usina, estávamos trabalhando para transformar a Empresa em uma produtora de aços especiais planos e, ao mesmo tempo, desativar as linhas de produtos que não apresentavam competitividade como as barras, por exemplo. Por isso, investimos em novos equipamentos, rotas de produção e no processo de domínio dessa nova tecnologia.

No corporativo, a Acesita tinha um foco bem definido: desfez de participação em empresas fora de Minas Gerais e buscou uma inserção no mercado internacional, procurando por parceiros estratégicos. Os esforços foram compensadores. O ano de 2004 foi o de melhor desempenho econômico-financeiro da Acesita até então e melhor inclusive que outras empresas do Grupo Arcelor ao qual pertencíamos na época. Alcançamos o ideal estratégico de estar concentrados nos aços especiais planos, no desenvolvimento de pessoas e no domínio de equipamentos.

Já abordar o futuro é falar sobre desafios. Os setores industriais brasileiros vêm diminuindo e a estrutura fiscal do país facilita a importação e dificulta a exportação. A Aperam está sendo colocada à prova, mas tenho certeza de que os valores que deram a ela um lugar de destaque no mercado farão a diferença neste momento.

Luiz Anibal de Lima Fernandes, diretor financeiro e de relações com investidores de 1995 a 2002 e presidente da Aperam de 2002 a 2005


Os primeiros registros de informativos produzidos para empregados da antiga Acesita datam de 1975. Naquela época, o Especial Acesita, com cinco mil cópias, tinha de ser produzido em uma gráfica na cidade de Viçosa, a quase 200 quilômetros de distância. Em preto e branco, a edição nº1 destacou o projeto de ampliação, que permitiria à usina alcançar o recorde de uma tonelada de aço em 1980.

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Contribuindo com o futuro13

Educação, Cultura, Meio Ambiente e Promoção Social. Desde 1994 esses quatro temas servem como bússola para as iniciativas desenvolvidas pela Fundação Aperam Acesita, mantida pela Aperam South America. Os 20 anos de história reforçam a responsabilidade da organização como agente de desenvolvimento nos vales do Aço e do Jequitinhonha.

Educação

A Fundação identifica esse eixo como principal meio de transformação de uma sociedade. Nos 20 anos de existência da entidade,todas as escolas públicas de Timóteo já receberam iniciativas, como o Programa de Melhoria de Qualidade de Ensino, projeto Miniempresa, entre outros. Algumas ações, como a promoção do empreendedorismo entre alunos do ensino médio – parceria com a Junior Achievement Minas Gerais (JAMG) − começaram no Vale do Aço e chegam agora também no Vale do Jequitinhonha.

Meio Ambiente

A entidade aposta em conservação e conscientização. O Centro de Educação Ambiental Oikós, área com quase mil hectares de Mata Atlântica, forma um verdadeiro palco para o aprendizado de crianças e adolescentes da região do Vale do Aço.

Cultura

Promover a arte, desenvolver a sociedade. A Fundação oferece à população de Timóteo e região uma agenda anual repleta de eventos. O ponto alto desse encontro acontece em outubro, com o Festival Arte Viva (leia mais na página 20). Além de estimular o público, a Instituição apoia e atua junto aos agentes culturais da região, via leis de fomento, para subsidiar a melhoria da gestão do produto artístico.

Promoção social

Cooperação em primeiro lugar. Desde a década de 1990, a Fundação oferta aos projetos sociais e entidades diversos instrumentos de capacitação, oficinais, assessorias para captação de recursos. Assim, a Empresa proporciona o fortalecimento dos parceiros e a melhoria da qualidade de vida da comunidade.

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