Revista Espaço

Caminho até o inox

Escultora percorre uma trajetória de mais de 30 anos fazendo do inox a base para a sua arte

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Objetos em inox oferecem a Dirce a base para suas criações

Em um depósito com peças de cobre e outros metais, o objeto de brilho prateado roubou a cena. Ofuscou o que estava ao redor e fez com que a escultora Dirce Betty descobrisse, ao acaso, qual seria a base para suas criações dali em diante. Isso, na década de 1970. Antes, ela já havia mudado uma vez seu rumo no mundo da arte. Parou de dar vida nova a objetos antigos, por meio da restauração, para investir em suas próprias criações.

Arriscou-se dando forma à argila e, quase 10 anos depois, era conquistada pelo cobre, isso, é claro, até o encontro com o inox. “É um material que contagia. Quando polido, traz uma sensação de limpeza absurda. Também permite fazer curvas e contornos que encantam. Os próprios detalhes da solda são incorporados à peça e, na sequência, viram arte”, explica Dirce.

Os trabalhos da artista plástica são feitos em apenas duas ações, corte e solda do inox. Assim, boa parte da essência da peça está em cada um dos pedaços que a constitui. “As coisas nascem das coisas. O que sobra de uma chapa, por exemplo, já diz um pouco no que vai se transformar. Claro que é preciso sensibilidade para criar, mas o acaso também cumpre sua função”, analisa.

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Peças de decoração: Objetos em inox oferecem a Dirce a base para suas criações Global (esq.) e Orbe

Entre 1988 e 1999, Dirce também se dedicou a ensinar técnicas sobre esculturas em metais na Faculdade de Artes Plásticas, da Fundação Armando Alves Penteado (FAAP), em São Paulo. Além disso, expôs seus trabalhos em galerias de São Paulo e do Rio de Janeiro. “Para um artista é muito bom mostrar o que criou e mais especial ainda é ensinar a outras pessoas que têm interesse pela área. Nas aulas eu aprendi mais do que ensinei”, lembra.

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