Revista Espaço

Negócio de família

Fundação Aperam Acesita apoia atividade que contribui para geração de renda e preservação do meio ambiente

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Apoio aos cursos do Senar tem promovido melhorias na produção

Plantar, colher, preparar a terra para plantar novamente e dar sequência a esse ciclo. Isso faz parte da vida de quem trabalha no campo e, no caso de algumas pessoas, essa rotina tem um valor ainda maior, já que cada etapa é realizada em família. Com a atividade, conseguem criar filhos e netos, além de produzir alimentos destinados à mesa de um grande número de brasileiros, com a vantagem de preservar o meio ambiente. Por essas e outras características, a agricultura familiar recebe destaque da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) (veja box ao lado) em 2014.

Na comunidade do Córrego do Celeste, na região do Vale do Aço (MG), mais de 40 famílias vivem essa realidade e conseguem bons resultados por meio da atuação em conjunto que, em 2008, deu origem à Associação dos Agricultores Familiares do Córrego do Celeste. Fornecendo seus produtos para a merenda de escolas da região, os agricultores projetam um novo passo no desenvolvimento da atividade e, há três anos, contam com o apoio da Fundação Aperam Acesita seja na melhoria da gestão da associação, seja na otimização do processo de produção. A próxima etapa é incluir código de barras nos produtos para a comercialização em supermercados.

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Agricultores do Córrego do Celeste pensam em diversificar o mercado para seus produtos

“A Fundação se tornou de fato uma parceira oferecendo suporte de várias formas. Possibilitou a captação de recursos, atuando como ponte entre a associação e outros órgãos, além promover capacitações, que agregam conhecimento e contribuem para o fortalecimento do grupo”, conta a presidente da Associação Córrego do Celeste, Marlene Imaculada Carlos. Por meio da Fundação, os representantes já participaram de um curso sobre o Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv), iniciativa do Governo Federal para descentralizar a gestão de recursos públicos. Além disso, receberam recursos do PorAmérica, iniciativa da RedEAmerica (rede temática de organizações de origem empresarial que fazem investimento social privado em 11 países da América Latina) para colaborar para o desenvolvimento de organizações de base e combater a pobreza em países da América Latina.

Produção com qualidade

Em Veredinha, cidade do Vale do Jequitinhonha (MG) com quase seis mil habitantes, o apoio à agricultura familiar traz para os membros da Associação dos Apicultores de Veredinha (AAPIVER) a possibilidade de alcançar uma meta ousada: elevar a produção atual de 56 toneladas anuais de mel para 100 toneladas/ano. As 26 famílias que compõem a associação conquistaram, por meio de parceria entre a Aperam Bioenergia, a Fundação Aperam Acesita e a RedEAmérica – Bloco Brasil, a construção da Casa do Mel, unidade para processamento do produto. Para alcançar o objetivo contam ainda com a participação no Fundo Comunidade em Rede para o desenvolvimento de comunidades, cujo recurso será destinado às capacitações.

“A associação tem papel importante na comunidade. A produção não agride o meio ambiente. Pelo contrário, estamos sempre atentos à preservação. Além disso, a atividade contribui para o desenvolvimento da economia do município. Conseguimos avançar muito por meio da Fundação, que nos apoiou com a construção da Casa do Mel e traz cursos para ampliar a qualidade e produtividade”, avalia o presidente da Associação dos Apicultores de Veredinha, Domingos Alves Cordeiro.

Modo de crescer

Seja para os membros da Associação dos Agricultores Familiares do Córrego do Celeste ou para os apicultores de Veredinha, a possibilidade de crescimento da produção e de melhoria da qualidade está diretamente relacionada à capacitação. Por isso, a Fundação Aperam Acesita também contribui para a realização de cursos do Serviço Nacional de Agricultura Rural (Senar), instituição vinculada à Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Só em 2013, a Fundação disponibilizou , na região do Vale do Aço, infraestrutura para a realização de 25 cursos que beneficiaram 284 pessoas.

Como um dos focos de atuação da Fundação trata-se do cuidado com o meio ambiente, esses produtores podem contar ainda com as orientações sobre tecnologias alternativas, empregadas na otimização dos recursos da natureza. “Ao oferecer suporte para os pequenos produtores estamos contribuindo para a sua permanência no campo, de maneira sustentável. Além disso, a agricultura familiar permite a geração de emprego e renda, e fornece alimentos de qualidade para a população”, aponta o presidente da Fundação Aperam Acesita, Venilson Vitorino.


Relevância do setor

A proposta da ONU de transformar 2014 em Ano Internacional da Agricultura Familiar é uma oportunidade para colocar o tema em discussão em todo o mundo. Com isso, amplia as possibilidades para identificar formas de investimentos, combate às desigualdades e contribui para superar os desafios dos pequenos agricultores. A relevância da área utilizada no Brasil, em especial do ponto de vista econômico, pode ser identificada em números como os do último Censo Agropecuário, realizado em 2006 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em parceria com o Ministério da Agricultura. De acordo com o levantamento, a agricultura familiar ocupa 15,3 pessoas por 100 hectares de cultivo, enquanto a agricultura não familiar gera 1,7 posto de trabalho para essa mesma área. Veja outras informações sobre a atividade:

  • Minas Gerais é o segundo estado com maior número de estabelecimentos para agricultura familiar, eles representam 10% do total.
  • Apesar de cultivar uma área menor em relação a outras formas de cultivo, com lavouras, 17,7 milhões de hectares, a agricultura familiar é a principal fornecedora de alimentos básicos para a população brasileira.
  • 24,3% da área total dos estabelecimentos agropecuários correspondem à agricultura familiar.
  • A agricultura familiar é responsável por 38% do valor bruto da produção agrícola brasileira, equivalente a R$ 54 bilhões.
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