Revista Espaço

História com modernidade

Museu da Fundação Aperam Acesita reabre as portas para relembrar duas histórias que se complementam: a de Timóteo e a da Aperam South America

Sobre a mesa de madeira firme e contornos antigos, um sino. Com ele, o primeiro presidente da antiga Acesita, João Vieira de Macedo, chamava os profissionais que trabalhavam nas proximidades da sala. No mesmo espaço, várias máquinas de calcular, mais adiante, exemplos de equipamentos de proteção individual, bem diferentes dos de hoje. Entre as fotos, a construção da antiga Casa de Hóspedes, hoje Fundação Aperam Acesita, inaugurações e momentos do cotidiano, em cores ou preto e branco. Memórias que vão além da história de uma empresa.

“No museu, as pessoas vão poder relembrar o passado. Meu pai trabalhou na Empresa até se aposentar e, hoje, meu marido faz parte do quadro de empregados. Acredito que com muitas pessoas ocorre o mesmo. Além disso, muito da infraestrutura na região se deve à chegada da Acesita”, conta a historiadora, Rosimar Silva Batista.

Para a organização do espaço, reinaugurado no dia 16 de abril,foram necessários dois anos de trabalho e a dedicação de três voluntários: Rosimar Batista, Joel Lima e Roberto Manella, além de Marilene de Lucca, ex- empregada da Fundação que coordenou os trabalhos. Nesse período, Rosimar Batista atuou na pesquisa, no inventário do acervo, revisão dos textos e na identificação das peças. “O trabalho consistiu em modernizar a maneira de se narrar a história. A separação por décadas e a relação entre os itens expostos tornam mais rápido o acesso às informações. Trata-se de algo fundamental em uma época na qual as pessoas buscam conhecimento com agilidade”, explica.

Atenção aos detalhes

Quem chega, percebe de imediato que as peças expostas estão ali para convidar à visitação. O espaço livre entre elas ajuda nisso. Ganham prioridade os móveis antigos e, quando necessário, houve a inserção de uma mobília moderna, escolhida atentamente para não chamar demais a atenção, afinal, o foco está na história. Esses cuidados fizeram parte da atuação do arquiteto, Joel Lima. “A ideia é trazer não apenas um layout agradável, mas o tempo todo tornar presente o processo de fabricação do aço. As chapas de inox, colocadas uma de frente para a outra, por exemplo, remetem à modernidade e fazem referência ao infinito”, aponta.

Em meio ao grande volume de fotos, o ex-empregado Roberto Manella também pôde dar a sua contribuição para que o museu estivesse pronto. Como chegou à Empresa em 1973, já conhecia muito dessa história, segundo ele, bastante rica. Entre as imagens mais emblemáticas, aquelas que revelam a chegada dos primeiros equipamentos. “Os fundadores atuaram como desbravadores, proporcionaram o rompimento do isolamento no qual a região se encontrava. Além disso, a própria história de cada um já é interessante por si só. Com esse resgate, o museu assume importante função de ajudar a comunidade a tomar consciência de sua história. Isso é cidadania”, conclui.

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