Revista Espaço

Oportunidade para pensar sobre o futuro

Projeto estreita relação entre formação escolar no Ensino Médio e o mercado de trabalho para atrair o interesse dos alunos

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O Reinventando o Ensino Médio trouxe para o professor Sérgio Luiz o desafio de dar aulas em duas áreas bem diferentes

Sequências formadas pelos números zero e um compõem uma linguagem simples, mas imprescindível para o funcionamento de computadores: é o chamado código binário. Apesar da pouca complexidade, o sistema está na base que origina jogos, programas e outros elementos do universo da informática. Essa linguagem chamou a atenção do estudante Gabriel Ferreira, 15 anos, nas aulas de Tecnologia da Informação, na Escola Estadual Antônio Silva, em Timóteo (MG).

A disciplina faz parte do Projeto Reinventando o Ensino Médio, iniciativa do Governo Federal que reformula a grade curricular das instituições de ensino da rede estadual. A escola onde Gabriel estuda funcionou, em 2013, como projeto piloto no Vale do Aço, mas a implantação é obrigatória para todas as escolas em 2014. “Tenho afinidade com essa área. Atualmente, todas as empresas utilizam computadores e precisam de profissionais com conhecimentos sobre o assunto. Com certeza será um diferencial para conquistar um bom emprego” comenta Gabriel.

 

Se o projeto trouxe transformações para quem fará parte do mercado de trabalho apenas daqui a alguns anos, o mesmo acontece com aqueles que já atuam em uma área definida. O professor de português da Escola Estadual Antônio Silva, Sérgio Luiz Teixeira, precisou resgatar os conhecimentos adquiridos na época em que se formou em Contabilidade para ministrar as aulas da área de Empreendedorismo e Gestão. Apesar do desafio de atuar em disciplinas tão diferentes, os resultados são positivos. “Foi preciso pesquisar muito, me capacitar. Com isso, aumentei meu campo de atuação. Os alunos também estão entusiasmados. Agora, é fundamental aprofundar o investimento na formação dos professores que atuam no projeto”, avalia.

Conhecimento na prática

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Armelita Alves dá aulas para os estudantes de Turismo, área que atraiu o interesse da aluna Eduarda Terra

Na Escola Estadual Antônio Silva, foram formadas, inicialmente, dez turmas inseridas no Reinventando o Ensino Médio, sendo quatro em Tecnologia da Informação, três de Empreendedorismo e Gestão e três de Turismo. Em cada uma, os professores recebiam a missão de educar e fortalecer o vínculo entre o conhecimento adquirido e sua aplicação no cotidiano. E ainda dar os primeiros passos em um projeto novo.

“Precisamos buscar atividades de campo para trazer um tipo de vivência mais voltado à prática, diferente do que acontece em sala. Nas atividades do sexto horário, também precisa haver um empenho maior para trazer dinamismo e manter a atenção dos alunos”, comenta a professora de Geografia e da área de Turismo, Armelita Alves Zaina.

Em 2013, a escola recebeu o apoio da Fundação Aperam Acesita para que os trabalhos pudessem transpor os limites das salas de aula. As atividades no Centro de Educação Ambiental–Oikós e a visita à exposição do artista Paulo Faria contribuíram para a formação nas áreas de Turismo e Tecnologia da Informação. O Café Empresarial reuniu os estudantes de Empreendedorismo e Gestão para a troca de experiências com os profissionais que administram empresas. A partir disso, os alunos têm como tarefa de curso criar e manter uma empresa simulada.

“Para que a escola consiga cumprir seus objetivos é fundamental investir em parcerias. Nesse sentido, a Fundação Aperam Acesita tem exercido papel importante, em especial no que se refere à interdisciplinaridade. Ações como o Café Empresarial proporcionam trocas de experiências e a aproximação do ambiente escolar com o mercado”, conta a coordenadora do Reinventando o Ensino Médio na Escola Estadual Antônio Silva, Maria de Lourdes de Oliveira.


Como funciona

Entre as razões para a criação do Reinventando o Ensino Médio estão o interesse em estimular os estudantes a refletir sobre a continuidade dos estudos e as possibilidades de entrada no mercado de trabalho, além do objetivo de tornar o ambiente escolar mais atrativo, minimizando a evasão. De acordo com os dados do EducaCenso (2009-2011)- levantamento do Governo Federal sobre a educação no Brasil – referentes à rede estadual de ensino, dos 286.652 alunos que iniciaram o primeiro ano do Ensino Médio, em 2009, quase 36% abandonaram os estudos antes de concluir o terceiro ano. Além disso, a taxa de distorção Idade-ano de escolaridade, ou seja, de alunos que não estão na série adequada para sua faixa etária, em 2011, foi de 32%.

“O Reinventando o Ensino Médio estimula os alunos a pensar em uma carreira. Eles aprendem a lidar com vários conhecimentos ao mesmo tempo e a associá-los à prática. Encontramos muitos desafios no que se refere à ampliação da carga horária. Mas isso foi superado a partir de informações levadas à comunidade”, afirma o diretor da Escola Estadual Antônio Silva, Paulo Antônio Silva.

Uma das mudanças proporcionadas pelo projeto é a inclusão do sexto horário na grade curricular, para abrigar novas disciplinas voltadas à inserção no mercado de trabalho. Em um Seminário de Percurso, os alunos do primeiro ano conhecem as áreas de empregabilidade: Comunicação Aplicada, Empreendedorismo e Gestão, Estudos Avançados em Ciências, Estudos Avançados em Linguagem, Meio Ambiente e Recursos Humanos, Tecnologia da Informação, Turismo. Logo depois, devem eleger uma delas que fará parte de sua formação ao longo dos três anos do Ensino Médio. As turmas são formadas a partir dessa escolha.

“Temos muitas atividades práticas e a área que escolhi me ajuda a conhecer as potencialidades da região do Vale do Aço. Achei interessante também pelo contato direto com as pessoas, proporcionado por esse campo de atuação”, conta a aluna da área de Turismo da Escola Estadual Antônio Silva, Eduarda Terra.

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