Revista Espaço

Para fazer a diferença

Ações de voluntariado mostram iniciativas simples que podem melhorar a realidade de outras pessoas29

No último ano de escola, o pensamento dos alunos está na formatura. O tempo passa e a maioria acaba não voltando ao local onde estudou. Mas o operador de tesoura da Laminação a Quente, André Santos Silva, resolveu seguir a velha regra de que “O bom filho à casa torna”. Ex-aluno da Escola Estadual Leôncio de Araújo, em Timóteo, e pai de um dos atuais alunos, ele sugeriu aos colegas do Grupo Inovart, dos Círculos de Controle de Qualidade (CCQ) Social, uma melhoria para beneficiar a instituição.

Com a ideia na cabeça, André se reuniu com seis amigos do grupo que assumiram o desafio. Depois do expediente, eles seguiam direto para a escola, com o objetivo de colocar em prática o que foi planejado. “Tenho um filho autista, de 14 anos, que estuda na escola. Com os esforços e a dedicação dos profissionais, ele se tornou uma criança mais sociável. Essa instituição já me deu muito e achei que era hora de retribuir um pouco”, afirma.

Após dois meses de trabalho, ficou pronto o muro construído ao redor do pátio, que garantiu mais segurança às crianças. A iniciativa ganhou o reconhecimento dos alunos que, durante as comemorações da Semana do Voluntário em Timóteo, fizeram uma apresentação de canto para agradecer aos que ajudaram. A diretora da escola, France-Jane Araújo Pereira, que está há 35 anos na instituição, também não escondeu o orgulho. “O André sempre foi um estudante participativo. Como educadora, fico emocionada em ver que a semente plantada lá no passado, hoje gera bons frutos”, comenta.

O Inovart tomou gosto pelo trabalho voluntário e já prepara uma nova intervenção: a instalação de corrimãos nas escadas da escola.

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Grupo Inovart planeja novas melhorias para a Escola Estadual Leôncio de Araújo, em Timóteo (MG)

Uma festa do voluntariado

Essa e outras ações foram o ponto alto do Seminário de Práticas Voluntárias, evento que fez parte da semana de ações em homenagem ao Dia Nacional do Voluntário – 28 de agosto -, promovida pela Fundação Aperam Acesita, Fundação Emalto e Prefeitura de Timóteo. O Seminário relembrou ações voluntárias que, em 11 anos de CCQ Social, dedicaram mais de 7.500 horas ao trabalho voluntário, firmaram mais de 150 parcerias e beneficiaram em torno de 70 organizações sociais.

Com o nome de “Contos de Encontros”, o evento apresentou ações e projetos realizados e apoiados pela Fundação Aperam Acesita e parceiros, em 2013. Foram 10 iniciativas que, ao todo, beneficiaram mais de 3.000 pessoas. Estiveram envolvidos cerca de 600 voluntários que dedicaram aos projetos e ações, aproximadamente, 1.700 horas de trabalho.

31Segundo o presidente da Fundação Aperam Acesita, Venilson Vitorino, uma das metas da Instituição é criar cada vez mais oportunidades para que os empregados e comunidade possam participar como voluntários nos projetos e ações desenvolvidos na região do Vale do Aço. “É justamente o envolvimento das pessoas que enriquece a atuação social da Empresa, além de ser um exercício de cidadania e solidariedade”, defende.

Protagonismo Jovem

Além disso, as Instituições promoveram uma campanha para cadastramento de doadores de medula e atividades que colocaram os jovens do Vale do Aço como protagonistas. Eles receberam capacitação para trabalhar questões relacionadas às políticas públicas e à mobilização de outros jovens. Com esses conhecimentos, eles atuaram nas discussões da Conferência da Juventude sobre a importância do protagonismo juvenil para desenvolvimento da comunidade, que reuniu 200 pessoas. Também elegeram um conselho para dialogar com o poder público sobre ações na comunidade. Após uma capacitação sobre o Estatuto do Idoso e o relacionamento com o público da terceira idade, um grupo de 50 jovens se dirigiu ao Asilo Sodalício Tio Questor, que abriga 38 idosos. As conversas e o lanche compartilhado ajudaram a alegrar o dia dos moradores e a ensinar noções de cidadania para os voluntários.

“A juventude é uma fase da vida de muita contestação em que temos bastante energia e o desejo por mudanças. Mostrar a importância do trabalho voluntário e capacitar essas pessoas é um bom caminho para que esse potencial seja direcionado às boas ações”, comenta a coordenadora de Projetos da Fundação Aperam Acesita, Vera Dutra.


Praticamente da família

Em parceria com o Hemominas, uma campanha conseguiu cadastrar 100 voluntários para compor o cadastro de doadores de medula óssea. A Fundação já havia contribuído na organização de uma iniciativa semelhante, em 2001, e, naquela oportunidade, o ex-empregado da Aperam South America, Baltazar Cardoso, fez a doação e ajudou a salvar uma vida.

“É maravilhoso imaginar que em um mundo tão grande possam existir duas pessoas que, nasceram em contextos diferentes, não se conhecem, mas guardam essa compatibilidade. É praticamente como se fossem da família”, reflete Baltazar. Estima-se que a probabilidade de encontrar um doador compatível entre familiares é de 37%e entre pessoas que não são parentes é de 1%.

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