Revista Espaço

Oportunidades a bordo

Menor custo de manutenção e alta durabilidade do inox atraem os olhares do setor náutico

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Embarcações a motor, com mais de 4,8 metros, correspondem a 84% da frota brasileira

Mais de 30 mil milhas, cinco continentes e dois anos de viagem. A jornada da Família Schurmann na Expedição Oriente – volta ao mundo realizada quase que inteiramente pelo hemisfério Sul – será longa. Para zarpar em fevereiro de 2014, todos estão na reta final de preparação. Os tripulantes navegarão em um veleiro de mais de 24 metros de comprimento e 6,65 metros de largura, com inox da Aperam South America aplicado no deck, cubas dos banheiros, pisos e mobiliário. Mas não é só no roteiro dos Schurmann que o material marca presença.

A Mekal, cliente da Aperam South America, atua no setor náutico há 45 anos, produzindo, com aço inoxidável, pias, tampos de cozinhas, caixas para baterias, tanques de lavagem de equipamentos e outros itens. De acordo com o coordenador de Marketing da empresa, Maurício Diniz, dois fatores justificam a opção pelo produto. “Especialmente a durabilidade e a manutenção. O setor náutico já é duramente penalizado por ter um custo operacional relativamente alto. O uso do inox, combinado a soluções de design compatíveis com os projetos, reduz custos”, avalia.

A redução nos gastos se deve a fatores como a manutenção, que é menos frequente do que em situações nas quais outros materiais são empregados. No setor náutico, destaca-se o aço inoxidável 316L. Ele possui, em sua composição, de 2% a 2,5% de molibdênio, elemento químico que garante maior resistência à corrosão em situações nas quais existem substâncias ricas em cloretos, como a água do mar. O material também é demandado no segmento de Óleo e Gás.

Cenário positivo

De caiaques a iates de luxo, os estaleiros brasileiros produzem embarcações de esporte e recreio em diversos tamanhos. Dados da pesquisa “Indústria Náutica: Fatos e dados 2012”, divulgada pelo Sebrae do Rio de Janeiro e pela Associação Brasileira de Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), indicam que o número de estaleiros formais no país chega a 120. Capazes de produzir embarcações de 3 a 36,5 metros, mais de 85% dessas empresas estão nas regiões Sudeste e Sul, com destaque para São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

No município de Palhoça (SC), o estaleiro Schaeffer Yachts atua há mais de 20 anos no setor. Em suas embarcações, âncoras, pega-mãos, escadas e sistemas de navegação hidráulicos são produzidos com o inox.

“O material possibilita um acabamento de primeira linha e a facilidade para atender aos projetos mais diversos. Quanto maior a embarcação, maior a sua complexidade e a necessidade de utilizar produtos em inox. Também confere valor agregado”, aponta o engenheiro de Produtos do estaleiro Márcio Schaeffer.

A extensão do território brasileiro e sua localização no mundo são outros fatores que favorecem o setor náutico. São cerca de 8.500 quilômetros de costa navegável, além dos rios, lagos e represas. As embarcações esportivas e de recreio, com mais de 4,8 metros, que compõem a frota brasileira, são aproximadamente 70 mil, sendo 84% a motor e o restante a vela. A pesquisa também aponta outros dados que reforçam as boas perspectivas para o setor, já que 73% dos estaleiros pretendem ampliar, entre 2013 e 2014, sua estrutura física e o mix de produtos. E 96% deles acreditam que devem aumentar seus postos de trabalho nesse período.

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