Revista Espaço

Mais viva do que nunca

Exposição e oficinas de artes plásticas são destaque no Arte Viva, evento cultural que é tradição no Vale do Aço27

De um lado, cores vivas. As mãos guiam o spray em traços que mostram características de animais representando o conflito entre a espiritualidade e os desejos humanos. De outro,fragmentos da vida real, sempre em preto e branco, acompanhados de elementos inusitados e uma leve pitada de cor em um ponto de destaque. Esses estilos, embora diferentes, convergiram para uma mesma exposição de artes plásticas no 14° Festival Arte Viva, em trabalhos assinados por Douglas Fillipe, mais conhecido por Dodô 153, Gerziel de Araújo e Edvandro de Oliveira, o Vyrus.

Dodô 153 começou sua trajetória há 10 anos, explorando as tintas. Desenvolveu o olhar para a arte com a ajuda de revistas, da interação com outras pessoas da área e com a família. E várias de suas criações ajudam a compor o caminho de quem vive no Vale do Aço (MG). O último trabalho feito nas ruas, por exemplo, está em um muro no bairro Contente, em Coronel Fabriciano. “A proposta do evento é muito interessante. Fiqueifeliz com o convite, porque é uma possibilidade de transportar a arte das ruas para as galerias, o que favorece a troca entre artistas e amplia o acesso a outros públicos”, comenta.

Além da exposição, o artista Gerziel Araújo ensinou a crianças e adolescentes um pouco sobre o grafismo, em oficinas, durante o evento. “Acho importante levar a eles essa perspectiva. A arte oferece uma série de possibilidades que nos ajudam a viver e seguir um bom caminho no mundo, muitas vezes, conturbado”, avalia Gerziel. Ele utiliza, desde a década de 1970, o nanquim, tinta de origem chinesa que confere brilho e tonalidade aquosa aos grafismos. Entre as principais criações, imagens de um violão que parece derreter e um escorpião que utiliza uma das garras para lançar um ioiô.

Qualidade que é tradição

Entre exposição, teatro e dança, a edição 2013 do Arte Viva também trouxe como destaque uma homenagem a Dorival Caymmi e as apresentações de Saulo Laranjeira, Geraldo Azevedo, Cobra Coral e Trio Amaranto e 14 Bis. No âmbito local, o Festival abriu espaço para Douglas Netto, Andressa Moreira, Luiz Yuner, Ana Bonfá, Cia Bruta de Teatro, Sô Zé, entre outros artistas. A cerimônia de troca de cordas da capoeira foi outra novidade.

O evento é promovido pela Aperam South America, por meio da Fundação Aperam Acesita, com o apoio da lei estadual de Incentivo à Cultura. “Conseguimos, com o ‘Arte Viva’, organizar uma programação gratuita, com espetáculos de qualidade para públicos variados. É uma ótima oportunidade para valorizar artistas da região e, também, trazer outros talentos para o Vale do Aço”, avalia Venilson Vitorino, presidente da Fundação Aperam Acesita.

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