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Revista Espaço

Inspirado nas estrelas

Aço elétrico da Aperam South America oferece suas potencialidades para importante projeto da ciência brasileira

Basta olhar para o céu à noite e buscar um ponto muito brilhante. Se não estiver nublado, você encontrará Sirius, estrela da constelação Canis Maior, a mais brilhante em magnitude aparente vista da Terra. Em busca de uma luz, também de grande intensidade, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em ­parceria com o ­Ministério da ­Ciência,­ Tecnologia e Inovação (MCTI), ­desenvolve ­um ­novo ­acelerador de partículas, ­batizado também de Sirius.

O equipamento será o maior do hemisfério Sul e um dos maiores do mundo. Ele utilizará a luz Síncrotron – radiação gerada a partir da ­aceleração ­de elétrons – ­para analisar a ­estrutura ­atômica dos materiais. “O projeto aumentará a gama de aplicações desse tipo de luz em pesquisas científicas, principalmente pela ampliação do seu ­espectro ­para ­raios-x­ mais duros. ­Isso ­permitirá produzir análises química e estrutural em três dimensões, com resolução até 100 vezes melhor”, conta Ricardo Rodrigues, diretor de engenharia do ­Laboratório Nacional ­de ­Luz ­Síncrotron.­

Desenvolvido ­em ­Campinas(SP), ­o ­acelerador ­receberá investimentos de R$650 milhões e será construído com uma série de matérias-primas, equipamentos e dispositivos brasileiros. Entre eles, o aço elétrico E 233 da Aperam South America. Serão mais de 100 toneladas desse material para a produção de mais de mil ímãs, situados ao redor do anel principal do acelerador . “A alta permeabilidade magnética do aço E 233 foi determinante na definição de seu aproveitamento na produção dos ímãs. Por suas propriedades, ele permite alcançar maiores campos magnéticos, com menor corrente elétrica”, explica o assistente técnico de Aços Elétricos da Aperam ­South­ America,­ Rubens­ Takanohashi.

Para mostrar o caminho

Em um acelerador de partículas, a trajetória que os elétrons percorrem é fundamental na determinação do espectro e qualidade da luz Síncrotron produzida, que é largamente utilizada no estudo da estrutura e propriedades dos materiais. Veja como o aço elétrico fornecido pela Aperam é importante nesse processo7


Evolução

Mais de 19 anos separam a entrada em funcionamento do primeiro acelerador de partículas ­brasileiro, ­o UVX,­ em 1997,­ do Sirius, que será ativado em 2016. Mas as diferenças não param por aí. Em relação aos ímãs, por exemplo, a qualidade do campo magnético obtido é vista como um grande diferencial. Se comparados com os ímãs ­do UVX,­ os que ­serão ­usados ­para ­o Sirius devem satisfazer tolerâncias bem mais rigorosas. Além disso, a quantidade a ser instalada é cerca de dez vezes maior.

O aço elétrico E 233, também aplicado em motores e compressores, é resultado do esforço da Aperam South America no desenvolvimento de um material que apresente duas propriedades,­ geralmente ­antagônicas,­ mas indispensáveis para que o aço tenha ­um ­bom desempenho:­ baixa perda magnética e alta permeabilidade. “Hoje,­ a­ empresa ­produz os aços elétricos de Grão Não-Orientado (GNO) com as menores perdas magnéticas do mundo. Mas o trabalho para desenvolver novos produtos com resultados ainda melhores prossegue”, afirma ­­Rubens ­Takanohashi.­

Os desafios tecnológicos do novo acelerador de partículas são bem maiores do que aqueles colocados para o equipamento atualmente em uso. Por essa razão, além dos novos ímãs, ele terá maior dimensão para assumir o papel de uma das fontes com mais alto brilho do mundo.

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Mais perto

Acelerador de partículas, pesquisas com elétrons e luz Síncrotron são termos que 9fazem parte do cotidiano de poucas pessoas, mas isso não significa que estejam distantes do nosso dia a dia. A fabricação de móveis, celulares e eletrodomésticos, por exemplo, só é possível a partir de estudos sobre as estruturas de polímeros, como as fibras. Muitos remédios também são desenvolvidos pela indústria farmacêutica, após pesquisas envolvendo proteínas e a luz Síncrotron. Também entra na lista o desenvolvimento de tecnologia para a área petroquímica, por exemplo.

“A pesquisa científica, além de satisfazer a curiosidade natural do homem, promove o desenvolvimento econômico ­e ­tecnologia ­aplicada ao cotidiano. A luz Síncrotron, nas últimas décadas, vem se mostrando o investimento mais efetivo e abrangente na produção de conhecimento, por unidade de recursos investidos”, analisa o diretor Antônio ­José­ Roque ­da ­Silva.

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