Revista Espaço

Um bom processo do começo ao fim

Projeto aumenta vida útil de três regeneradores do Alto-Forno, com resultado acima do esperado

15“O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. A frase de Guimarães Rosa, do livro ‘Grande Sertão: Veredas’, ressalta o valor do processo, da trajetória. E a importância dessa reflexão pode ser observada em vários contextos. Por exemplo, no projeto de prolongamento da vida útil dos Cowpers, do Alto-Forno I. “Um bom projeto se faz quando alcançamos, em primeiro lugar, a segurança durante sua execução e obtemos outros aspectos como a qualidade, o custo e o cumprimento do prazo. Estamos satisfeitos com todos esses itens”, avalia o gerente de projetos da Engenharia, Olegário Nunes de Oliveira Filho.
O trabalho, iniciado em dezembro de 2012, pela parceria entre as áreas de Redução e Engenharia, promoveu a troca parcial do revestimento refratário dos três Cowpers do Alto-Forno I, em funcionamento há mais de 30 anos. Com duração de sete meses, chegou ao final em julho de 2013, dentro do prazo e, além disso, mobilizou 86.969 homem/hora de trabalho sem acidentes. Considerando-se que as atividades foram desenvolvidas em espaço confinado, envolvendo carga suspensa, em altura e em ambiente sujeito a presença de gás CO, a conquista se torna ainda mais significativa. Para a implantação do projeto, a previsão de perda de produção de gusa, em torno de 150 toneladas por dia, mostrou-se menor que o esperado: apenas 50 toneladas/dia.

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A troca do revestimento refratário dos Cowpers foi feita pela parceria entre a Engenharia e a Redução

A proposta do projeto objetivava um prolongamento de vida útil de cinco anos, porém, a qualidade na execução permitiu estimar uma sobrevida de dez anos para os Cowpers do Alto-Forno I. E do ponto de vista ambiental, a equipe também tem motivos para comemorar. O refratário retirado, cerca de 250 toneladas, foi vendido para uma empresa de beneficiamento e produção de material refratário. Ou seja, não houve descarte na natureza e ainda gerou retorno financeiro para a Aperam. “Acredito que tudo se deve à qualidade do reparo e ao gerenciamento de todo o processo. Estivemos atentos ao projeto original, é claro, promovendo melhorias quando necessário”, aponta o assistente técnico da área de Redução, Carlos José de Souza.


Além dos 1.000°C

Para produzir o ferro gusa, o Alto Forno precisa receber ar quente, com temperatura que varia de 1.000°C a 1.100°C. O ar é aquecido dentro dos Cowpers (regeneradores de calor). Nos equipamentos, compostos por uma câmara de combustão, o gás queima, acumulando calor na câmara de empilhamento. O ar que vem do soprador, após aquecido no Cowper, segue para injeção no Alto-Forno, para promover a produção de ferro gusa, por meio da redução do minério de ferro.

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