Revista Espaço

Um ano de Aperam

“A maior força da Aperam é a dedicação de suas equipes”

O novo presidente da Aperam, Philippe Darmayan, lança mão de uma metáfora da navegação para explicar a estratégia adotada pela Empresa para vencer as atuais turbulências do mercado internacional. “Quando o vento está soprando forte, não é hora de acrescentar novas velas ao barco. O foco deve ser comandar a navegação, deixando-a segura e pronta para crescer quando o tempo melhorar”, defende o ‘timoneiro’, nesta entrevista publicada em edição recente da Revista Agile, publicação corporativa do Grupo Aperam, e parcialmente reproduzida na Revista Espaço.

Executivo com larga experiência no mercado siderúrgico, Darmayan analisa o desafio de assumir a Empresa, que completou um ano de constituição em janeiro último, em um cenário de dificuldades – marcado por excesso de produção na Europa e a alta da inflação no Brasil –, e aposta na capacidade de superação dos obstáculos sob a inspiração dos valores Liderança, Inovação e Agilidade.

Sobre as operações no Brasil, o CEO destaca a importância da Usina de Timóteo, “força estratégica da Aperam”, e elogia os esforços da equipe da Aperam Bioenergia para “melhorar a eficiência operacional” do processo de produção do carvão vegetal que abastece os Altos-Fornos. A seguir os principais trechos da entrevista:

9O senhor assumiu a posição de CEO da Aperam em um momento difícil para a indústria siderúrgica e para a Empresa. O que o convenceu a aceitar este desafio?

Eu não decidi trabalhar no ramo siderúrgico para conseguir coisas fáceis de fazer. O inox e a Aperam, em particular, são parte da minha vida. Levar a Aperam ao sucesso é o maior desafio com o qual já sonhei.

A recente pesquisa de clima mostrou que várias pessoas na Aperam tiveram dificuldade de entender a estratégia da Empresa. O que o senhor diria aos empregados para melhorar sua compreensão sobre o caminho que está sendo trilhado?

A nossa estratégia é focada em caixa e custos. E não pode ser diferente, pois temos que encarar a realidade: as condições de mercado estão difíceis. Quando o vento está soprando forte, não é hora de acrescentar novas velas ao barco. O foco deve ser comandar a navegação, deixando-a segura e pronta para crescer quando o tempo melhorar. Nossos métodos podem não ser os mais atraentes, mas acreditem, são os mais seguros dentro das atuais condições de mercado, melhorando nossas posições, encarando o excesso de capacidade na Europa e a alta inflação no Brasil, atendendo os clientes e defendendo nossos market shares.

O senhor quer que a Aperam seja mais competitiva, ágil e orientada ao cliente. Como alcançar isso?

O atendimento ao cliente começa com o entendimento das suas necessidades e, para isso, é necessário uma dedicação permanente aos melhores padrões de fornecimento.Hoje, a qualidade do produto é um de nossos pontos fortes, mas as reclamações e os incidentes ainda estão muito altos − precisamos reduzir o lead time e melhorar a confiabilidade.

Para alcançarmos a competitividade, temos que implantar um programa ambicioso de redução de custos e processos de melhoria contínua sustentáveis.Devemos nos exigir de acordo com o melhor padrão, imitar boas referências e inovar quando possível.

E por que Agilidade diante desse cenário?

Porque melhorar exige uma habilidade e uma disposição para a mudança, ou, quando decisões difíceis devem ser tomadas, uma habilidade para entender. A Agilidade é, de longe, o valor da Aperam de minha preferência. A competitividade é o foco no cliente; a Agilidade é o caminho para chegarmos lá.

Seu antecessor era muito atuante na promoção de uma cultura de melhoria contínua no desempenho de Saúde e Segurança. Qual é a sua posição em relação a esse assunto?

A manutenção de um ambiente seguro é uma cultura com raízes vindas de nossas empresas-mães e um ponto em comum que tenho com Bernard (Bernard Fontana, ex-CEOda Aperam). Minha expectativa e meu trabalho com relação à segurança passam por três conceitos: liderança visível, prevenção de risco e comportamento seguro. Estou confiante de que, com a dedicação de todos, trabalharemos de forma profunda na implantação dos três conceitos.10

Como será 2012 para a Aperam?

Difícil. Juntamente com a necessidade de realizarmos a Jornada de Liderança para melhorar nosso Ebitda, teremos como objetivo reduzir nossa dívida e alcançar maior margem de manobra. Para que isso seja feito por meio do Ebitda, precisamos melhorar a gestão de estoques e de investimentos produtivos.

Na carta enviada aos empregados quando assumiu a posição de CEO, o senhor escreveu que a sua abordagem de gestão é baseada na confiança e autonomia, no trabalho em equipe e na autotranscendência. O que seria exatamente isso?

O roadmap da Aperam está sendo trabalhado por toda a equipe gerencial. O meu papel é construir – e eventualmente desafiar fortemente – um entendimento comum dos objetivos e promover procedimentos de trabalho baseados na operação em equipe. Transcendência significa exatamente isso. Somos mais eficientes quando agimos como um time, em vez de trabalharmos sozinhos. Detesto individualismo. Fuitreinado com círculos de qualidade, grupos de desenvolvimento, organização autônoma e gestão de competência. Essa deve ser a maneira de conduzir o nosso negócio.

Como ex-chefe do que hoje é a Aperam Stainless Europe, o senhor tem um conhecimento profundo das unidades industriais na Europa. Ao mesmo tempo, já visitou e conheceu as instalações do Brasil. Quais são os pontos fortes e pontos fracos?

Eu tenho, é claro, um conhecimento maior de nossas operações na Europa e, mesmo enfrentando a óbvia necessidade de criar valor e oportunidades estratégicas para sustentarmos a Empresa, encontrei a Organização em uma situação muito melhor do que há seis anos. No Brasil a situação é inversa: o milagre brasileiro parece viver seus últimos dias e o país agora está alcançando uma situação mais madura, com custos mais altos e preços mais baixos. A mitigação dessa situação é justamente o meu desafio principal.

Entretanto, quero ressaltar que, independentemente da localização da unidade, a maior força da Aperam continua sendo o profissionalismo e a dedicação de suas equipes à Empresa, começando do topo, com os membros do comitê de gestão, os quais conheço e admiro muito.

Qual a sua mensagem para os empregados da Aperam South America?

A Aperam South America e sua peça central, a Usina de Timóteo, são a força estratégica da Aperam, com um “controle” de 75% do mercado brasileiro. A equipe é muito criativa e sempre mostrou grande flexibilidade. O ambiente brasileiro mudou drasticamente, com a valorização do Real e uma inflação crescente, que resultaram em custos mais altos. Reforço que este é um desafio difícil a ser enfrentado com coragem.

Aproveito também para dirigir minhas calorosas boas-vindas às excelentes equipes da Aperam Bioenergia, que recentemente se juntou ao perímetro da Aperam, e que agora são responsáveis por abastecer os dois Altos-Fornos no Brasil com um carvão de qualidade. Durante minha recente visita ao Vale do Jequitinhonha, fiquei impressionado com o esforço empreendido para melhorar a eficiência operacional.

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