Revista Espaço

Competitividade

Aço verde

Projeto de conversão do Alto-Forno 2, que agora passa a operar com carvão vegetal, é inaugurado em Timóteo

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Representantes da Aperam e convidados na cerimônia de inauguração do projeto

Com direito a descerramento de placa e sirene de acionamento, a Usina de Timóteo viveu um dia de festa em 15 de setembro com a inauguração do projeto de conversão do Alto-Forno 2, um dos maiores do mundo a operar com carvão vegetal para fabricação de gusa, que tem capacidade de produção de 445 mil toneladas por ano. A cerimônia foi prestigiada por uma comitiva de dirigentes da Aperam, liderada pelo então CEO, Bernard Fontana, e pelos diretores da Aperam South America.

“O Brasil é um país essencial para os nossos negócios e possui uma capacidade singular de produzir energia por meio do carvão vegetal”, destacou Bernard Fontana, ao lembrar que as operações da Aperam no país representam cerca de 40% da força de trabalho da Empresa – 4.500 de um total de 11 mil empregos.

Fontana disse ainda que o projeto Carvão Vegetal insere-se em um conjunto de iniciativas voltadas para a ampliação da competitividade da Empresa em todas as suas plantas. “São vários projetos que vão gerar redução de custos de US$ 250 milhões nos próximos anos”, estima Fontana. Só a conversão do Alto-Forno 2 resultará em economia de cerca de US$ 60 milhões anuais. Como o empreendimento demandou investimentos de US$ 95 milhões, estima-se que o retorno (pay back) ocorra em até dois anos.

A conversão ganha significado especial neste momento desafiador vivido pela siderurgia. “Precisamos recuperar a nossa competitividade afetada por um cenário marcado por excesso de oferta de produtos, câmbio valorizado e inflação alta, que provoca aumento de custos”, enumerou o presidente da Aperam South America, Clênio Guimarães.

Coque e carvão

Em sua exposição, Clênio Guimarães lembrou que a Usina de Timóteo usa carvão vegetal como termorredutor desde os anos 1940. Em 1974, o insumo começou a ser produzido no Vale do Jequitinhonha, que, segundo ele, possui “terras planas e condições climáticas apropriadas para a cultura do eucalipto”.

Em 1979, a Usina de Timóteo inaugurou seu segundo Alto-Forno, também a carvão vegetal. Dezessete anos depois, devido à grande queda no preço do coque metalúrgico no mercado internacional, os planos mudaram e ele passou a funcionar movido pelo insumo, que se tornou uma alternativa vantajosa para os negócios da Empresa.

As discussões em torno de nova conversão do Alto-Forno recomeçaram em 2004, quando o abastecimento e o preço do coque voltaram a apresentar instabilidade. O projeto foi aprovado em 2007 pela ArcelorMittal, suspenso no ano seguinte por causa da crise econômica internacional e reapresentado em 2009, quando recebeu o sinal verde para sua execução.

Produção garantida

Resultado de investimentos de US$ 95 milhões na estrutura produtiva da Usina de Timóteo e da Aperam Bioenergia, no Vale do Jequitinhonha, o projeto Carvão Vegetal aumenta a competitividade da Empresa, garante uma produção pautada em fonte energética renovável, manutenção dos índices de produtividade e qualidade do gusa fabricado e atendimento aos requisitos legais de segurança.

Ao produzir seu próprio combustível, a Empresa pode controlar de modo ainda mais efetivo a sua qualidade e custos, protegendo-se da instabilidade de abastecimento e de preços observada no mercado internacional de coque. “A opção pelo carvão vegetal representa independência estratégica, pois conseguimos fabricar um gusa mais barato, com fonte de energia renovável, e ainda amenizamos a questão da vulnerabilidade do mercado de coque”, comenta Guilherme do Espírito Santo, gerente executivo da Redução.

O carvão vegetal usado nas operações da Aperam South America é produzido pela Aperam Bioenergia, a partir de florestas de eucalipto plantadas na mesorregião do Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas. Sua capacidade instalada alcança 1,4 milhão de metros cúbicos por ano, o equivalente a 450 mil toneladas/ano de carvão vegetal, com potencial para chegar a 2,2 milhões de metros cúbicos nos próximos anos.

Do total de investimentos, cerca de US$ 60 milhões foram destinados à unidade para o plantio de florestas de eucalipto e para construção de 147 fornos de carbonização RAC 700, dotados de novas tecnologias de coleta e queima dos gases para o processo, praticamente eliminando as emissões de metano (CH4). Melhorias na logística de transporte também foram empreendidas, com a utilização de veículos mais adequados.

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Dirigentes visitaram as instalações do Alto-Forno 2

Já a planta industrial de Timóteo recebeu US$ 35 milhões. Os recursos foram empregados nas adequações no stock house e na área de corrida do Alto-Forno 2, na ampliação do pátio de matérias-primas e na construção de novos sistemas de desempoeiramento, de torre de peneiramento e de basculador de caminhões.

“O projeto representou um marco para a Aperam South America e para todos nós da Engenharia de Projetos, que lideramos a sua implantação. É uma iniciativa que contribui para a construção da história da Empresa, alcançada por meio da dedicação especial de cada empregado e de um forte espírito de equipe”, ressalta Pedro Cirino, gerente executivo da área de Engenharia de Projetos.


Emissões reduzidas

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O uso de carvão vegetal no Alto-Forno 2 permitirá que 700 mil toneladas de CO2 deixem de ser lançadas anualmente na atmosfera, o que representa redução de 50% do total de emissões do gás na planta de Timóteo.

Esse benefício alcança as duas pontas da cadeia. Tanto no cultivo do eucalipto, uma vez que florestas plantadas consomem CO2 da atmosfera durante a fotossíntese, compensando as emissões do Alto-Forno, quanto no próprio abastecimento do equipamento, pois o carvão vegetal é um combustível mais limpo do que o coque metalúrgico. “Todo o projeto é alinhado às práticas preconizadas pela Aperam, com uma operação que permite a produção de aço de forma ecologicamente correta”, ressalta o consultor técnico da diretoria da Aperam South America, Roberto Manella.

Além disso, na Aperam Bioenergia, parte da energia gerada na queima dos gases já está sendo utilizada para acelerar a secagem da madeira e, no futuro, toda energia térmica oriunda desse processo será convertida em energia elétrica. Para o presidente Clênio Guimarães, o projeto abre novas perspectivas de negócio para a Aperam South America e para a Aperam Bioenergia. “Vislumbramos novos produtos no futuro: geração de energia, de tecnologia e de créditos de carbono”, apontou.

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