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Repensar os Processos versus Produtividade

É chegada a hora de repensar nossos processos

A cena é comum e pode ser vista facilmente em indústrias por todo o Brasil: as emergências do dia a dia complicam a vida das equipes de manutenções, que precisam manter o foco na correção de falhas e, em razão disso, têm dificuldades para realizar um planejamento das atividades. Como consequência, os equipamentos sofrem paradas a todo momento, o que acaba por afetar de forma drástica a competitividade da empresa.

Em setores como o do agronegócio, por exemplo, os prejuízos causados por uma parada inesperada durante um pico de produção podem ser graves – sem falar que essas ocorrências demandam uma mão-de-obra cada vez mais cara e escassa.

Apesar do cenário complexo que acabo de descrever, duas boas medidas parecem, aos poucos, ganhar força na indústria brasileira.

A primeira delas é a estruturação de equipes de confiabilidade, presentes, em geral, nas multinacionais que atuam no país. Por muito tempo uma raridade nas corporações, essas equipes vêm se tornando mais comuns, sendo reconhecidas como parte essencial dos negócios. A medida é louvável e, não tenho dúvidas, pode fazer a diferença para que as indústrias elevem sua competitividade, dando maior ênfase na manutenção preditiva.

Dito isso, o segundo aspecto a ser considerado, em minha opinião, é o conhecimento e a adoção de novos materiais, que, especificados corretamente, podem reduzir radicalmente a necessidade de manutenções.

Como pesquisador que trabalha há muitos anos com os aços inoxidáveis, percebo que o produto é uma opção diferenciada. Sua adoção em ambientes onde há corrosão e desgaste traz inúmeras e comprovadas vantagens às empresas – especialmente em substituição ao aço carbono, que não resiste e falha prematuramente nessas condições.

Antes de avaliar a substituição, entretanto, não é raro que percalços sejam apontados pelo caminho: “o aço inox é muito caro”, “a soldagem é complexa” ou “o aço é de difícil manipulação” são os comentários mais comuns que ouvimos.

Ora, é preciso saber, de antemão, que há diferentes tipos de inoxidáveis. Somente no Brasil, são produzidas em torno de 25 variações do produto. Além dos conhecidos AISI 304 e 316, com suas variações de baixo carbono (304L e 316L), existem ainda outras opções de inoxidáveis, com custos menores.

Por isso, o primeiro passo para avaliar o custo-benefício da sua aplicação é a avaliação da criticidade, caso a caso, indispensável para determinar qual o tipo de aço inoxidável mais indicado.

Por conhecimento de causa, posso afirmar que não são raras as ocasiões, por exemplo, em que o aço ferrítico 410 – um dos inoxidáveis de menor custo – aumenta consideravelmente o tempo entre paradas dos equipamentos. Na comparação com o aço carbono, ele apresenta o dobro de propriedades mecânicas, o que permite assegurar a mesma resistência mecânica com simplesmente metade da espessura necessária. Desse modo, fica claro que a comparação dos custos entre esses aços não pode ser direta, mas deve considerar os diversos impactos positivos gerados pela substituição.

Já são diversos os casos de sucesso proporcionados pela troca do aço carbono pelo inoxidável – os exemplos podem ser encontrados pelo Brasil afora. No setor sucroalcooleiro, conheço equipamentos fabricados em inox 410 que já estão em operação há dez anos, sem falhas ou qualquer necessidade de parada para manutenção – enquanto os modelos tradicionais, feitos em aço carbono, resistem apenas a uma safra. Colocando no papel, o custo final da aplicação do inoxidável é até cinco vezes menor, uma vantagem que ainda pode ser ampliada, dependendo do caso. Ou seja: o aço inoxidável acaba sendo barato!

Para quem ainda não tem intimidade com o produto, garanto que a soldagem não é complexa e um treinamento básico das equipes responsáveis pelo processo – como aqueles disponibilizados pelo Instituto do Inox – é capaz de garantir o total preparo para o manuseio e manipulação do material.

A conclusão natural, feita esta reflexão, é de que a resistência à mudança é, atualmente, o principal empecilho para a ampliação do uso dos aços inoxidáveis. Algo natural e certamente compreendido por todos – afinal, quem nunca se viu receoso diante de uma nova experiência?

No entanto, acredito que o momento é para pensarmos, repensarmos, rediscutirmos e mudarmos o foco: é hora de buscar a manutenção preditiva, reduzindo os custos fixos das nossas empresas e tornando-as mais competitivas. O aumento da confiabilidade dos processos é o caminho para isso. O momento para a mudança é agora.

Adolfo Viana é pesquisador de Aços Inoxidáveis na Aperam South America e pesquisador visitante no Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT).

Doutorando em Engenharia Metalúrgica e de Materiais pela Poli-USP, é também mestre em corrosão pela COPPE-UFRJ e diretor conselheiro do Instituto do Inox.

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